Terapia de Reposição Hormonal na Menopausa

terapia de reposição hormonal

Ondas de calor, suor noturno, alterações do sono, ressecamento vaginal e mudanças no humor podem fazer parte do climatério e da menopausa. Quando esses sintomas interferem na qualidade de vida, a terapia de reposição hormonal pode ser uma das opções de tratamento.

Mas reposição hormonal não é uma decisão baseada apenas na presença de sintomas. É preciso avaliar o momento da vida, os antecedentes pessoais e familiares, os fatores de risco e as preferências de cada mulher.

Neste post, explico o que é a terapia de reposição hormonal, quando ela pode ser indicada, quais são as principais contraindicações, quais cuidados e exames devem ser considerados antes de iniciar e por quanto tempo o tratamento pode ser mantido.

 

O que é a terapia de reposição hormonal?

A terapia de reposição hormonal, também chamada de terapia hormonal da menopausa, utiliza hormônios para repor parcialmente aqueles que passam a ser produzidos em menor quantidade pelos ovários após a menopausa.

O estrogênio é o principal hormônio utilizado e pode melhorar sintomas como ondas de calor, suor noturno e outros sintomas relacionados à deficiência estrogênica. A terapia hormonal também contribui para a prevenção da perda de massa óssea enquanto está sendo utilizada.

Nas mulheres que possuem útero, é necessário associar um progestagênio ao estrogênio sistêmico para proteger o endométrio. O estrogênio isolado pode ser utilizado, em geral, por mulheres que não possuem útero.

A terapia pode ser administrada por diferentes vias, como comprimidos, adesivos ou gel transdérmico. A escolha da via e da formulação deve ser individualizada, considerando principalmente o perfil cardiovascular, o risco de tromboembolismo, outras condições clínicas e as preferências da mulher.

 

Quando iniciar a terapia hormonal na menopausa?

A terapia hormonal apresenta uma relação entre benefícios e riscos mais favorável quando iniciada dentro da chamada janela de oportunidade: em geral, em mulheres com menos de 60 anos ou que estão até 10 anos do início da menopausa.

Estar dentro dessa janela, porém, não significa que toda mulher tenha indicação para fazer terapia hormonal. A indicação está principalmente relacionada à presença de sintomas da menopausa que interferem na qualidade de vida, especialmente sintomas vasomotores, como ondas de calor e suor noturno.

A decisão de iniciar o tratamento deve considerar também os antecedentes pessoais e familiares, os fatores de risco, a presença ou não de contraindicações e as preferências da mulher.

Assim, idade e tempo desde a menopausa ajudam a definir o momento em que a relação entre benefícios e riscos tende a ser mais favorável, mas não são, isoladamente, indicação para terapia hormonal.

E quando a menopausa acontece antes dos 40 anos?

Quando a perda da função ovariana acontece antes dos 40 anos, chamamos de insuficiência ovariana prematura.

Nessas situações, a reposição hormonal tem uma importância diferente daquela observada na menopausa que acontece na idade habitual. Na ausência de contraindicações, a terapia hormonal costuma ser recomendada até aproximadamente a idade média da menopausa natural, por volta dos 50 anos.

A conduta, entretanto, deve ser individualizada conforme a causa, os sintomas e as condições clínicas da mulher.

 

Quem não deve fazer terapia de reposição hormonal?

A terapia hormonal não é indicada para todas as mulheres.

Entre as principais contraindicações à terapia hormonal sistêmica estão:

  • câncer de mama atual ou prévio, em determinadas situações;
  • câncer de endométrio ou outra neoplasia hormônio-dependente, conforme o caso;
  • sangramento vaginal sem diagnóstico;
  • doença hepática ativa;
  • histórico ou presença de eventos tromboembólicos em situações específicas;
  • doença cardiovascular estabelecida, como doença coronariana, infarto ou acidente vascular cerebral.

Mesmo quando a terapia hormonal sistêmica não é uma opção, isso não significa que todos os sintomas ficarão sem tratamento. Existem alternativas não hormonais para sintomas vasomotores e opções específicas para sintomas geniturinários.

 

Quais exames são necessários antes de iniciar a reposição hormonal?

Essa é uma dúvida muito comum: é preciso fazer exames hormonais antes de começar a terapia hormonal?

Na maioria das mulheres que estão na transição menopausal ou já apresentam menopausa em uma faixa etária compatível, não é necessário medir estrogênio, progesterona ou outros hormônios para decidir se existe indicação de terapia hormonal.

A avaliação é principalmente clínica.

Isso não significa que exames não sejam importantes.

Alguns cuidados e rastreamentos são fundamentais antes e durante o tratamento. A avaliação das mamas, por exemplo, deve estar adequada para a idade e para o risco individual da paciente. Se a mulher tem indicação de mamografia e está com o rastreamento atrasado, esse é um ponto que precisa ser considerado antes de iniciar a terapia hormonal.

Outros exames podem ser solicitados de acordo com a história clínica, como avaliação da pressão arterial, perfil lipídico, glicemia e investigação de alterações que possam modificar a escolha do tratamento.

A ultrassonografia transvaginal também não é um exame obrigatório para toda mulher antes de iniciar terapia hormonal. Ela pode ser indicada quando existe uma situação clínica específica, como sangramento uterino anormal.

O mesmo vale para exames laboratoriais: não existe uma bateria fixa de exames que toda mulher precisa realizar antes de iniciar a terapia hormonal.

 

A terapia hormonal aumenta o risco de câncer de mama?

Essa é uma das principais dúvidas e também um dos maiores motivos de medo em relação à terapia hormonal.

A resposta não é que a terapia hormonal simplesmente “causa câncer”. O risco de câncer de mama depende do tipo de terapia utilizada, da combinação hormonal, do tempo de uso e das características individuais de cada mulher.

Por isso, antes de iniciar a terapia hormonal, é importante avaliar o histórico pessoal e familiar de câncer de mama, manter o rastreamento mamário indicado e discutir individualmente os benefícios e possíveis riscos do tratamento.

É também por esse motivo que o acompanhamento periódico é tão importante.

 

Terapia hormonal engorda?

O medo de ganhar peso é uma das principais razões que fazem algumas mulheres hesitarem em iniciar a terapia hormonal.

A menopausa, por si só, está associada a mudanças na composição corporal, com maior tendência ao acúmulo de gordura abdominal e alterações na massa muscular.

A terapia hormonal não deve ser considerada um tratamento para emagrecimento, mas também não há evidência de que ela seja responsável pelo grande ganho de peso que muitas mulheres atribuem à reposição.

Quando há aumento de peso durante o climatério, é importante considerar o conjunto de fatores envolvidos: envelhecimento, alterações na composição corporal, sono, atividade física, alimentação e mudanças metabólicas.

 

Qual é a melhor via: comprimido, adesivo ou gel?

Não existe uma única via de administração que seja melhor para todas as mulheres.

O estrogênio pode ser administrado por via oral ou transdérmica, por meio de adesivos e géis.

Em algumas mulheres, especialmente naquelas com determinados fatores de risco cardiovascular ou para tromboembolismo venoso, a via transdérmica pode ser uma opção mais adequada.

A escolha deve levar em consideração o perfil clínico da paciente, seus fatores de risco, preferência, sintomas e também o tipo de hormônio utilizado.

Por isso, não é apenas uma questão de escolher entre “comprimido ou gel”. A formulação e a dose também fazem parte da decisão.

 

E o estrogênio vaginal?

Os sintomas geniturinários da menopausa, como ressecamento vaginal, ardor, desconforto e dor durante a relação sexual, podem ser tratados de maneira diferente dos sintomas vasomotores.

Quando o problema está restrito à região genital e urinária, o estrogênio vaginal em baixa dose pode ser uma alternativa eficaz, com exposição sistêmica muito menor do que a terapia hormonal sistêmica.

A indicação e a segurança, entretanto, também devem ser avaliadas individualmente, principalmente em mulheres com histórico de câncer hormônio-dependente.

 

Por quanto tempo posso fazer terapia hormonal?

Durante muito tempo, foi comum ouvir que a terapia hormonal deveria ser interrompida obrigatoriamente depois de cinco anos.

Hoje, não existe um prazo máximo universal que determine quando todas as mulheres devem parar.

A duração do tratamento depende da indicação, dos sintomas, da idade, do tempo desde a menopausa, do esquema utilizado e dos riscos individuais.

Se a mulher continua apresentando sintomas que prejudicam sua qualidade de vida e os benefícios continuam superando os riscos, a terapia pode ser mantida após uma avaliação individualizada.

Isso não significa que a reposição hormonal deva ser mantida indefinidamente sem acompanhamento. Há necessidade de avaliação periodica para verificar se a indicação permanece e se houve alguma mudança em sua saúde que altere a relação entre benefícios e riscos.

Também não é necessário interromper o tratamento simplesmente para “dar um descanso ao organismo”.

A decisão de reduzir, suspender ou manter a terapia deve ser individualizada e com orientação médica

 

Preciso parar a terapia hormonal aos 60 anos?

Não existe uma regra que determine que toda mulher deve interromper a terapia hormonal ao completar 60 anos.

A idade de 60 anos é importante por ser um dos limites da janela de oportunidade para inicio da terapia de reposição hormonal. Porém, não é considerado uma idade limite para o término do tratamento. Isso significa que a continuidade do tratamento precisa ser reavaliada com cuidado.

 

Terapia de reposição hormonal: a decisão é individual

A terapia hormonal pode transformar a qualidade de vida de mulheres que sofrem com os sintomas da menopausa, mas não deve ser prescrita de maneira automática.

Também não deve ser encarada como um tratamento que todas as mulheres precisam evitar por medo dos riscos.

O que existe é uma decisão individualizada, baseada em evidências: avaliar os sintomas, o momento da menopausa, os antecedentes pessoais e familiares, os fatores de risco, os rastreamentos necessários e as preferências da paciente.

A melhor terapia hormonal é aquela que faz sentido para aquela mulher, naquele momento da vida, com acompanhamento médico periódico.

Continue a leitura

Se você deseja saber mais sobre saúde íntima feminina, estes conteúdos também podem ajudar:

Me siga no Instagram para acompanhar por lá também minhas postagens.

 

Precisa de ajuda?

Sou a Dra. Edna Bittencourt, ginecologista e obstetra em Curitiba.

Atendo mulheres em diferentes fases da vida, com foco em saúde íntima, climatério e ginecologia baseada em evidências.

Na consulta, meu objetivo é entender os sintomas, avaliar o momento de cada mulher e discutir as possibilidades de tratamento de forma individualizada, considerando seus antecedentes, seus fatores de risco e suas preferências.

A terapia de reposição hormonal pode ser uma opção segura e eficaz para muitas mulheres na menopausa, mas a indicação, o tipo de tratamento e a duração precisam ser avaliados individualmente. Uma consulta ginecológica adequada ajuda a entender se a terapia hormonal faz sentido para você e qual estratégia pode ser mais adequada para o seu momento.

Ultimos posts